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Céu e Inferno


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#1 Gileade

Gileade

    Rho

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Posted 02 October 2011 - 06:49 PM

CÉU E INFERNO

O QUE ENSINA A BÍBLIA?

A Bíblia é um livro racional. Não existe nada de contraditório nela: tudo encaixa de uma maneira que torna a sua mensagem dinâmica e fácil de entender. Os seus ensinamentos fazem sentido e é esta simples lógica que apresenta um tal desafio que ninguém de boa vontade pode negar o seu impacto.

Este folheto foi escrito para mostrar que - em contraste com o simples e racional ensino das Escrituras - ideias populares acerca do céu e inferno são absurdas. Que ideias são estas? Durante séculos tem sido crido comummente pela maioria de Cristãos professos que o céu é o lugar dos justos onde vivem em alegria e felicidade eternas, e que o inferno é o lugar dos maus onde são sujeitos a tormento sem fim em fogos que nunca se apagam.

Em tempos mais recentes muitos abandonaram a ideia de inferno - e com isso nenhum desejo de investigar se isto é, de facto, uma reflexão daquilo que a Bíblia ensina. Esta aversão a sofrimento eterno (certamente um instinto correto) fez com que muitos homens acarinhassem em vez disso uma vaga esperança universal de salvação - que todos irão usufruir de felicidade eterna independentemente das obras feitas durante a sua vida mortal. No entanto isso agora deixou a pessoas com uma sensação de desconforto, porque sentem uma injustiça ao assumir que vai haver recompensa tanto para bons como para maus.

Os Cristadelfianos não partilham da ideia moderna de "céu para todos", nem das ideias mais tradicionais acerca de "bênçãos no céu" e "castigos no inferno". Leram a Bíblia por si mesmos (assim como esperamos que os leitores deste folheto o façam) e concluíram que, embora "céu" e "inferno" sejam mencionados muitas vezes, não são os lugares onde as pessoas esperam (ou temem) ir quando morrerem.

Têm-se cometido um erro grave ao interpretar a Bíblia. Mas o erro não está primeiro de tudo relacionado com o céu ou inferno; o erro realmente cresceu a partir de outra teoria, que todos os homens nascem com o que é chamado de "alma imortal". Isto é descrito de varias maneiras entre elas, "uma entidade que não morre", uma "fagulha divina"; e a isso são atribuídas todas as características do que é rotulado "o homem real" - personalidade, consciência, razão e entendimento, emoções e todas as qualidades morais de que o homem é capaz de mostrar. É dito que o corpo é mortal e corruptível, transformando-se em pó e cinzas depois da morte, enquanto a alma é imortal e incorruptível e vive para sempre quer em felicidade ou tristeza sem fim.

E, claro, uma vez aceite tal ponto de vista acerca da natureza humana, então uma crença em um outro lugar ou lugares como habitação e lar da alma depois da morte torna-se uma necessidade lógica. Mas, se este ponto de vista da natureza humana está incorreto, então as conceções populares acerca do céu e inferno podem ser também bastante falsas.

Propomos assim examinar com brevidade o ensinamento da Bíblia acerca da alma e natureza humana e então com esta fundação, determinar o ensino racional e lógico da Bíblia acerca do destino final dos justo e dos maus.

A Alma

Deve ser dito logo no início que a frase "alma imortal" ou "alma que nunca morre" ou expressões similares não se encontram nas páginas da Bíblia. Somente de Deus está escrito, "O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver" (1 Timóteo 6:16). O homem não tem imortalidade inerente e embora a palavra "alma" ocorra frequentemente nas suas páginas, a Bíblia não ensina a ideia de algo independente do corpo que continua vivo depois da morte. O registo Bíblico da criação do homem define claramente "alma":

"Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente" (Génesis 2:7).

É o próprio homem, o corpo formado do pó, ativado pelo sopro da vida, que é descrito como "alma vivente". A palavra Hebraica original nefesh significa simplesmente "uma criatura que respira" e é usada não somente para descrever o homem como também os animais. Por exemplo:

"Répteis de alma vivente" (Génesis 1:20, RC);

"Tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome" (Génesis 2:19, RC);

É verdade que a palavra nefesh é adotada para uma variedade de propósitos mais tarde na Bíblia. Na Bíblia versão Ferreira de Almeida Corrigida e Atualizada a palavra original foi traduzida pelas seguintes palavras entre outras: Ser, vida, alma, pessoa, eu, ele, vós, si próprio, alguém, criatura, morto, escravo, cadáver. Está sempre associada com as atividades dos viventes/criatura que respira e nunca implica nada acerca da duração da vida. Na verdade, longe de atribuir imortalidade à alma, a Bíblia declara que a alma é capaz de morrer e pela sua natureza estar sujeita à morte:

“Não poupou a alma deles à morte” (Salmo 78:50, RC);

“Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?” (Salmo 89:48);

“A alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4).

Não poderíamos ter testemunho mais enfático de que a alma pode morrer.

A Condição dos Mortos

A questão permanece, no entanto: O que envolve a morte? Nos primeiros capítulos do Génesis, lemos, não só da criação do homem, mas também da sua “queda” - da entrada do pecado e da morte no mundo. O Senhor Deus ordenou ao homem:

“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Génesis 2:16, 17).

A desobediência ao mandamento de Deus traria a morte. O que causa a morte se torna claro quando Deus julgou Adão pelo seu pecado:

“No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Génesis 3:19).

Houve, com efeito, a uma inversão do processo de criação. Então Deus formou o homem do pó da terra e soprou em seu corpo sem vida, o sopro da vida, para que ele se tornasse uma criatura vivente, respirando. Assim, na morte, Deus retira essa energia que dá vida da qual só Ele é a fonte (ver Jó 34:14,15; Salmo 36:9); e o corpo se corrompe e se desfaz em pó (Eclesiastes 12:7).

“Tu és pó e ao pó tornarás”

Nos dias de hoje pode parecer óbvio mencionar isto, mas antes de vir a existir através do poder criativo de Deus, Adão não existia. Se a morte é a inversão do processo criativo então o resultado deve ser a cessação de existir e a desintegração da criatura viva, que respira, quer seja homem ou animal, pois no que toca à constituição natural não existe diferença entre eles: “Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais...Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.” (Eclesiastes 3:19, 20).

O Salmista escreve:

“Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade. Desvia de mim o olhar, para que eu tome alento, antes que eu passe e deixe de existir” (Salmo 39:4, 5, 13).

Assim, não há uma existência consciente depois da morte: nenhuma parte do homem continua vivendo, quer no céu quer no inferno. Não existe extensão de existência – nem para os justos. O rei Ezequias, um servo fiel de Deus, escreveu:

“A sepultura não te pode louvar, nem a morte glorificar-te... Os vivos, somente os vivos, esses te louvam como hoje eu o faço” (Isaías 38:18, 19).

E o sábio sumariza a posição:

“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma... Amor, ódio e inveja para eles já pereceram... Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Eclesiastes 9:5, 6, 10).

Perante tal ensinamento tão claro sobre a morte, tão fácil de entender, qual é a necessidade de mais explicações? Não pode haver a continuação de existência depois da morte quer no céu ou no inferno. A Bíblia fala-nos com simplicidade e com lógica e leva-nos a esta conclusão inevitável.

Isto claro, não significa que não exista uma recompensa para os justos ou castigo para os iníquos. Mas o quer que sejam, devido à harmonia que existe por toda a Bíblia, essa recompensa ou castigo deve estar de acordo com os fatos que já foram estabelecidos. O estudo do que as Escrituras dizem acerca do céu leva-nos em frente sem sobre saltos ao desenvolvimento do nosso entendimento do que a Bíblia ensina sobre estas questões vitais sobre a vida e a morte.

O Céu – A Morada de Deus

O céu é a morada de Deus. Claro, ao fazermos esta afirmação não podemos limitar o poder e transcendência de Deus, o qual segundo o que a Bíblia ensina está em todo o lado presente pelo seu espírito. O Salmista, meditando sobre esta omnipresença de Deus, escreveu:

“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa” (Salmo 139: 7 – 12).

Quando Salomão construiu o seu templo – uma casa para a habitação de Deus – ele também reconheceu esta verdade:

“Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (1 Reis 8:27).

Mas embora o espírito de Deus encha todo o espaço, esta verdade é compatível com o fato de que as Escrituras falam de uma “morada”. Na mesma ocasião, Salomão rogou a Deus por Israel:

“Teu povo de Israel, quando orarem neste lugar; ouve no céu, lugar da tua habitação; ouve e perdoa.” (1 Reis 8: 30, 39, 43).

“Pai nosso, que estás nos céus”

O sábio escreveu:

“Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.” (Eclesiastes 5:2);

e Jesus ensinou os seus discípulos a orar:

“ Pai nosso, que estás nos céus” (Mateus 6:9).

Este conceito da habitação celestial de Deus é sumariado nas seguintes passagens:

“O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (1 Timóteo 6:16).

“Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Salmo 115:16).

O homem não tem acesso à presença de Deus nos céus; mas o Senhor Jesus, o Filho unigénito de Deus, depois da sua ressurreição “foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus” (Marcos 16:19).

Isto mais uma vez é a conclusão lógica à qual nos levou as Escrituras:

“Ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem [que está no céu]” (João 3:13).

A Terra é a Herança do Homem

O céu não é para o homem: a sua habitação atual e qualquer existência futura é na terra:

“Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz... Aqueles a quem o SENHOR abençoa possuirão a terra... Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre.” (Salmo 37: 11, 22, 29).

O Senhor Jesus referiu-se a este Salmo quando disse: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” (Mateus 5:5). Ele ensinou os seus discípulos a orar, “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (6:10) E João teve uma visão dos redimidos (aqueles que foram salvos do pecado e da morte), cantando:

“Foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (Apocalipse 5:9, 10).

A terra, então, é a habitação do homem e também é o seu prometido lugar eterno. Deixaremos por agora a questão de como esta herança na terra é concedida, porque primeiro temos que esclarecer alguns mal-entendidos comuns sobre o “inferno”.

O Inferno é a Sepultura

Existem três palavras principais que nas nossas Bíblias foram traduzidas por “inferno”. No Antigo Testamento é a palavra Hebraica sheol; em Grego do Novo Testamento são duas palavras, hades e geena. A palavra sheol era comummente usada para indicar a habitação dos mortos debaixo da terra. É melhor traduzida por “sepultura” ou “cova”. Na Bíblia em Português (Ferreira de Almeida Revista e Atualizada), temos palavra traduzida assim: sepultura 19 vezes, abismo 7, inferno 10, infernais 2, morte, 6, além 11, sepulcro 5, cova, 4, reino dos mortos 1. Sheol é assim a sepultura, o lugar comum dos mortos onde os corpos dos homens estão sujeitos à corrupção. A sepultura é o lugar onde os mortos “não sabem coisa nenhuma… amor, ódio e inveja para eles já pereceram… no além, para onde tu vais, não… nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Eclesiastes 9:5, 6, 10).

“Como ovelhas são postos na sepultura (sheol); a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura (sheol) é o lugar em que habitam” (Salmo 49:14).

Não existem exceções: a morte e a sepultura dão aos homens uma igualdade que nunca podem encontrar em vida, pois:

“Ali, os maus cessam de perturbar, e, ali, repousam os cansados. Ali, os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do feitor. Ali, está tanto o pequeno como o grande e o servo livre de seu senhor.” (Jó 3:17 – 19).

No Novo Testamento a palavra hades é equivalente à Hebraica sheol. Na versão grega dos Setenta – uma tradução do Antigo Testamento para o Grego, compilada aproximadamente duzentos e cinquenta anos antes do nascimento de Jesus – esta palavra é usada quase sem exceção para representar sheol. No discurso de Pedro no dia de Pentecostes ele citou o Salmo 16 para provar a ressurreição de Jesus e o texto Grego de Atos usa a palavra hades:

“Porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja corrupção” (Atos 2:27).

“Inferno de Fogo”

A terceira palavra traduzida “inferno” é geena, um termo sempre associado com fogo e somente com uma exceção encontra-se sempre nos Evangelhos. As passagens relevantes no registo do Evangelho de Mateus são as seguintes: 5:22, 29, 30; 10:28; 18:9; 23:15, 33. É digno de nota que existem assim por volta de meia dúzia de referências diferentes a “inferno de fogo” na Bíblia. Claro, mesmo que houvesse uma só, teria que ser tomada em cuidadosa consideração para determinar o seu significado.

Para o propósito da nossa questão tomaremos uma só passagem: a explicação dada nesta instância aplica-se igualmente a todas as outras. Selecionámos as palavras de Marcos 9 (paralelo de Mateus 18:8, 9) porque este é sem dúvida o exemplo mais explícito e completo do ensinamento do Senhor sobre a Geena:

“E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.” (versículos 43, 44, veja também 45 – 49).

A partir de uma leitura superficial pode-se sentir uma certa repugnância sobre fogos eternos e vermes que nunca morrem. Felizmente nenhuma destas ideias está envolvida no verdadeiro entendimento da passagem.

A palavra Geena vem do Hebraico Ge-Hinnom, que era de facto um lugar geográfico. Significa o Vale de Hinom, algumas vezes referido como Tofete. Era um vale nos limites da (então) cidade de Jerusalém e desde os tempos mais antigos era um lugar de má fama – associado à adoração idólatra e abominado pelos Judeus por causa das práticas terríveis associadas à adoração falsa: veja, por exemplo, Jeremias 7:31 – 33. Nos dias de Josias o vale foi limpo e as práticas abomináveis proibidas (2 Reis 23:10). A sua infâmia, no entanto, continuou viva e tornou-se um lugar onde os Judeus queimavam o lixo da cidade; mais tarde usaram esse lugar para se desfazerem das carcaças dos animais e enterrar os criminosos depois de executados. Para este propósito e para evitar o mau cheiro da putrefação, eram mantidos fogos ardendo continuamente e tornou-se sinónimo de morte e condenação.

A referência a fogos que nunca se apagam começa agora a ser vista com mais clareza: eles são usados para expressar a natureza do julgamento divino. Os julgamentos de Deus são certos e inexoráveis. Isto é o que é sugerido por, “não lhes morre o verme” – nada pode prevenir ou interferir com os julgamentos declarados de Deus sobre aqueles que Lhe viram as costas.

Tártaro


Antes de deixarmos o assunto do “inferno”, é apropriado falar com brevidade da única vez em que a palavra tártaro aparece no Novo Testamento:

“Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno (tártaro)…” (2 Pedro 2:4).

Na mitologia Grega a palavra referia-se a uma caverna subterrânea, um mundo subterrâneo para onde eram lançados os ímpios.

O uso desta palavra não pode de maneira nenhuma confundir o ensinamento claro das Escrituras como já foi mostrado. O seu uso advém das circunstâncias peculiares ligadas com o evento ao qual Pedro se refere. Existe alguma incerteza quanto à referência precisa a “anjos que pecaram”: alguns viram nestas palavras uma referência a Corá, Datã e Abirão, que, quando falaram contra Moisés e se rebelaram contra Deus, sofreram um castigo sem igual quando “a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou... Eles e todos os que lhes pertenciam desceram vivos ao abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação.” (Números 16:31 – 33),

Este evento certamente provê uma explicação adequada para o uso de Pedro da palavra tártaro nesta ocasião.

O Destino dos Maus

No que se refere aos maus, já dissemos que eles não podem existir depois da morte, sofrendo tormento e infelicidade eternos. As seguintes passagens são uma seleção de entre muitas:

“Os ímpios, no entanto, perecerão… serão aniquilados e se desfarão em fumaça.” (Salmo 37:20).

“Irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem” (Salmo 49:19, 20).

“Os perversos serão eliminados da terra, e os aleivosos serão dela desarraigados” (Provérbios 2:22)

“Mortos não tornarão a viver, sombras não ressuscitam; por isso, os castigaste, e destruíste, e lhes fizeste perecer toda a memória” (Isaías 26:14).

“Sofrerão penalidade de eterna destruição” (2 Tessalonicenses 1:9).

O castigo final dos maus é portanto a aniquilação, morte perpétua, cortados da terra dos vivos para sempre. Isto se enquadra na perfeição e é apropriado quando à luz do nosso entendimento do ensino da Bíblia sobre a vida e a morte, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

A Recompensa dos Justos

Que dizer da recompensa dos justos? Já vimos que a sua herança eterna é a terra – uma terra aperfeiçoada e limpa de todo o mal. No entanto, aprendemos também que todos os homens pela sua natureza estão sujeitos à morte e que na morte não têm uma existência consciente. Se o ensino das Escrituras deve ser consistente, então só existe uma maneira possível para os justos receberem a sua recompensa: eles têm que viver de novo através da ressurreição dos mortos. A última passagem do Antigo Testamento citada em ligação com o destino dos maus (Isaías 26:14) fala da morte deles como eterna: “sombras não ressuscitam”. No mesmo capítulo, todavia, o profeta contrasta o destino destes com a recompensa dos justos:

“Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos” (v. 19).

Como será isso alcançado? A salvação que Deus oferece necessitou da ressurreição de Jesus; e ela tornou possível que todos os fiéis sejam ressuscitados dos mortos como ele o foi. Pois isso Jesus pôde dizer: “eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25); e noutra ocasião, “vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua (de Jesus) voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:28, 29).

Na sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo trata detalhadamente da ressurreição dos mortos, mostrando que isso é o ponto fulcral da esperança Cristã. O seu desafio a alguns que duvidavam desta doutrina foi:

“Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé… ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram” (15:12 – 18).

Ressurreição

Se não há ressurreição dos mortos, não há esperança. Mas a conclusão triunfante do apóstolo é:

“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (versículos 20 – 23).

Como poderia o apóstolo ser mais específico? Somente através da ressurreição pode-se alcançar a vida para além da morte, e o Senhor Jesus Cristo é apenas o primeiro de uma grande multidão, as primícias da grande colheita de crentes mortos que viverão de novo quando Jesus voltar à terra.

Aqui temos a chave para toda a situação. Enquanto o mundo continua como está, dominado por homens maus perseguindo a sua ambição por poder, é difícil para nós visualizarmos como os mansos irão herdar a terra, mas a segunda vinda de Cristo é fulcral para o propósito de Deus de derrubar o reino dos homens; destruir tudo o que se Lhe opõe e estabelecer o Reino de Deus, uma sociedade divina fundada nos princípios de justiça e equidade sobre o qual ele reinará para sempre (veja Mateus 6:10; Apocalipse 11:15; 2 Tessalonicenses 1:7 – 10; Daniel 2:44; Miqueias 4:1 – 5).

O ensino das Escrituras não é complicado e difícil de entender, mas é racional e lógico.

Julgamento

As Escrituras mencionam duas classes de possuas que ressuscitarão do sono da morte no último dia: aqueles que recebem a vida eterna, e outros ressuscitados para a vergonha e condenação (Daniel 12:2). De facto a humanidade pode ser dividida em três classes. Primeiro há aqueles que não serão ressuscitados, que viveram as suas vidas em ignorância sobre Deus e o Seu propósito e que consequentemente não têm responsabilidade para com Ele: “O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.” (Salmo 49:20). Consistente com isto, Daniel escreveu que não todos mas “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão”.

Para a segunda categoria – aqueles que através do seu conhecimento e entendimento de Deus se tornaram responsáveis perante Ele e no entanto não foram fieis em suas vidas – existe um julgamento inevitável no grande tribunal quando Deus, através de Jesus, julgará “cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:12). E ainda temos a terceira categoria: para os fieis será o cumprimento de todas as suas esperanças – a ressurreição para a vida eterna, vivida num corpo incorruptível e glorioso, reinando como reis e sacerdotes na terra com o Senhor Jesus Cristo.

Algumas Objeções Consideradas

Seria errado não reconhecer que existem algumas passagens nas Escrituras que muita gente sinceramente acredita que estabelecem o ensino ortodoxo da imortalidade da alma e a conceção popular do céu como a morada dos justos. Aqui apresentamos as principais passagens que podem parecer ensinar um ponto de vista que contradiz o que dissemos até agora:

“O Reino do Céu”

Esta frase é usada somente no registo do Evangelho de Mateus. É suposto por alguns que porque se refere ao céu, a verdadeira localização do reino é no céu. Assim, “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3) e, “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (18:3) são tomadas como prova de que os justos usufruem da sua herança no céu. Se somos sérios com o nosso estudo da Bíblia, não obstante, não devemos chegar a conclusões com muita facilidade e devemos examinar com mais cuidado a frase “reino do céu” como é usada em Mateus para determinar precisamente o que significa. Selecionamos somente duas passagens que, sugerimos, ilustram claramente que o reino do céu não é efetivamente localizado no céu, mas – em harmonia com o ensino geral da Bíblia – aqui na terra.

Mateus 13 contem um número de palavras que Jesus usou para ilustrar a sua mensagem. A maioria tem como prefácio as palavras “O reino dos céus é semelhante” no entanto algumas das coisas que Jesus disse são extremamente difíceis de reconciliar com o pensamento de uma alma transportada para o céu aquando da morte. Por exemplo, na parábola do joio do campo, “O campo é o mundo… a ceifa é o fim do mundo… assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo… então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu pai” (versículos 24:30, 36 – 43, RC). Pode realmente haver “tudo o que causa escândalo” num reino no céu?

Depois de encontrar-se com um jovem rico, que não vendeu as suas possessões para segui-lo, Jesus disse, “um rico dificilmente entrará no reino dos céus… É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de deus” (Mateus 19:23 – 24). ‘Reino dos céus’ e ‘reino de deus” são frases paralelas.

Porque então Mateus emprega a frase ‘reino dos céus’? Alguns versículos do Livro de Daniel no Antigo Testamento ilustram o seu significado: “Nos dias destes reis, o deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído” (2:44). Noutro capítulo, Daniel escreve: “O céu domina” (4:26). Até o grande Nabucodonosor, rei da Babilónia, foi forçado a reconhecer que “segundo a sua vontade, ele[Deus] opera com o exército do céu e os moradores da terra” e foi levado a louvar, exaltar e glorificar o “rei do céu” (4:35 – 37). O reino do céu é por conseguinte descritivo do domínio do céu e a frase pode razoavelmente ser aplicada a qualquer área onde a soberania de Deus é reconhecida. Assim Jesus ensinou-nos a orar, “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).

A Parábola do Homem Rico e Lázaro (Lucas 16)

Agora vamos examinar uma parábola, não é um facto. Jesus está a usar uma falácia comummente crida – que os justos eram levados para o ‘seio de Abraão’ para serem confortados, enquanto que os maus sofriam no inferno. Um dos pontos que ele está a fazer é que os padrões de Deus são diferentes dos dos homens e podem ser o oposto completo do julgamento humano. Outro é que a fé que agrada a Deus é a que estará preparada para acreditar o que está nas Escrituras. Se a Palavra de Deus não os pode convencer, nada pode: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (versículo 31).

Note como os detalhes da parábola são completamente irreconciliáveis com os pontos de vistas comummente mantidos sobre almas imortais no céu e inferno. O homem rico e Lázaro podiam ver-se um ao outro e falar um com um outro desde onde estavam. Eles não eram espíritos imateriais, mas possuíam corpos com dedos, língua, etc. (versículo 24).

A parábola era, então, um terrível aviso para os ricos e poderosos Judeus, que acreditavam que meramente por haverem nascido Judeus garantia-lhes a bênção de Deus.

O Ladrão na Cruz (Lucas 23:39 – 43)

Aqui temos um dos exemplos mais extraordinários de fé que encontramos na Bíblia. Este homem, morrendo na cruz com Jesus Cristo quando todos o tinham abandonado, manifestou crença no Evangelho do reino de Deus, aceitando a ressurreição de Jesus e antecipando a sua própria ressurreição no dia em que Jesus retornar em glória. A certeza que Jesus lhe deu foi, “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (versículo 43). Observe que não pontuámos esta promessa. Isto é importante, porque no original em Grego não havia pontuação como a entendemos agora. Virgulas, etc. são inseridas na tradução Portuguesa segundo o sentido da linguagem, e a colocação da palavra “que” na versão Almeida altera o sentido e ênfase da promessa, a palavra “que” não aparece no original Grego mas foi inserida pelos tradutores. Se em vez da palavra “que” colocarmos uma virgula depois da palavra “hoje” temos: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.” Por outras palavras, “Estou te dizendo agora que o teu pedido será atendido”.

De qualquer forma, ler estas palavras como uma afirmação de que ambos naquele dia estariam unidos no céu é inconsistente com outro ensino Bíblico. Já apontámos o Salmo 16(citado em Atos 2), que nos diz claramente que a alma de Jesus não estava no céu mas no inferno, do qual se levantou no terceiro dia: “Não deixarás a minha alma na morte[Gr. Hades], nem permitirás que o teu santo veja corrupção.”

Há mais Escrituras que podíamos examinar desta forma. Os exemplos que examinámos, contudo, devem ajudar-nos a reconhecer que passagens aparentemente contraditórias têm explicações adequadas consistentes com o ensino da Bíblia como um todo.

Conclusão

Qual é a nossa reação então a estas verdades Bíblicas? Não são só apresentadas como factos que devem ser assimilados pela mente; elas devem afetar todo o nosso ponto de vista sobre a vida. Reconhecendo a verdadeira natureza da morte, devemos entender que a vida é o nosso tempo de oportunidade. Como Ezequias escreveu,

“A sepultura não te pode louvar, nem a morte glorificar-te; não esperam em tua fidelidade os que descem à cova. Os vivos, somente os vivos, esses te louvam como hoje eu o faço” (Isaías 38:18, 19).

É uma questão de vida ou morte. O nosso futuro eterno depende da nossa decisão: O esquecimento da morte perpétua ou o glorioso acordar para a vida eterna no retorno de Jesus! Quão urgente é então abraçar a esperança do Evangelho enquanto há tempo, para que não morramos “não tendo esperança e sem deus no mundo” (Efésios 2:12).

Dudley Fifield

Edited by Gileade, 02 October 2011 - 06:58 PM.

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